O MÁGICO

Confira essa nova animação do diretor de Bicicletas de Belleville.

BALADA DO AMOR E ÓDIO

Confira nossa crítica sobre o mais novo filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia.

FRIDA KAHLO EM SEIS SENTIDOS

O projeto de extensão “cores” nos convida inicialmente a um espetáculo sobre a vida da artista plástica, mexicana, Frida Kahlo.

ARTEROTISMO - UM CONVITE

Gente! Ontem eu fui ao evento #OqueDjaboÉIsso, onde tive o prazer de assistir ao ótimo espetáculo "As cores avessas de Frida Kahlo"...

"A CULPA É DA SOCIEDADE"

A sociedade é culpada: Esse foi um entre outros discursos gritados nesses dias que sucederam a “tragédia do realengo”...

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terça-feira, 5 de julho de 2011

A FALÊNCIA DA EDUCAÇÃO EM NATAL E A IRRESPONSABILIDADE DO GOVERNO


Estamos em Julho de 2011, o Governo representado sobre a figura de Rosalba ameaça cortar salário e invalidar a Greve com um argumento “pífio” e “estúpido”, coisa retrograda e muito utilizada pelos governantes, diz que atendeu quase todas as reivindicações dos professores (eles dizem exigência, como se professores pudessem exigir alguma coisa) e que já não há motivo para a permanência da Greve. A argumentação esta pautada, como sempre, em uma inverdade como foi mostrado em uma reportagem de um jornal local:
Um dos três coordenadores do Sinte, o professor José Teixeira disse ontem que a assessoria jurídica do Sindicato estava preparando a defesa, na qual explica que o governo implantou o piso salarial apenas para dois mil professores do ensino médio, que tinham uma remuneração inferior a R$ 890,00. "O governo deixou de fora os graduados e professores com mestrados e doutorados". Teixeira também adiantou que o Sinte norteia a sua defesa no fato de que os 34% de reajuste alardeado pelo governo, só irá ser pago a partir de setembro e esse percentual só será alcançado em dezembro de 2011. Fonte: http://tribunadonorte.com.br/noticia/professores-apresentam-hoje-defesa-a-justica/187713; Natal, 05 de Julho de 2011 | Atualizado às 07:3
De fato é normal este posicionamento do Governante de nosso Estado, afinal, eles não têm nenhum compromisso com a Educação. Há muito tempo que os alunos e Escolas Estaduais figuram com os últimos lugares, como bem mostra o MEC. Não é a volta dos professores ou reposição das aulas como o quer o desembargador relator Virgílio Fernandes Macêdo Júnior, que já havia expedido o mandado de intimação para forçar os professores do Estado a voltar às aulas forçosamente; jogando mais uma vez (como sempre o fazem os representantes do governo), a responsabilidade pela inabilidade dos alunos, para passar nos exames mínimos exigidos pelas escolas normais e na seleção do Enem e vestibulares, nas costas dos professores. Enganam-se quem acha que professor em sala de aula quer dizer sucesso no ENEM e no VESTIBULAR isto é apenas um “tolo” argumento que deveria cair em desuso e que só convence, infelizmente, a população do Ensino do Estado que por não possuir Educação de qualidade que o incentive ao pensamento critico e reflexivo fica intelectualmente submisso a um argumento que há muito esta caquético e ultrapassado por pessoas ditas cultas e que quer “ o bem dos alunos”.
Entretanto a infelicidade maior esta igualmente pautada na forma covarde e submissa de muitos educadores que ao menor indicio de corte do salário ou no vislumbre de qualquer grão de melhora volta a dá aula ou simplesmente não adere ao movimento grevista por achar que não vai mudar nada ou que vai prejudicar os alunos. A estes digo os alunos com ele ou não em sala de aula já estão desde sempre prejudicados, não é sua permanência em sala de aula que vai mudar a situação. Além disso, existem aqueles que por pura tendência partidária ou pela admiração a quem esta no poder, não participa do movimento de reivindicação por melhoria na Educação pública, o que presta antes um desserviço a si mesmo e a todo o aparelho já “falido” da Educação do Estado do Rio Grande do Norte, excluindo-se do processo de debate e procura de melhoria prejudicando toda uma categoria. Existe, também, a utilização de estagiários para muitas vezes enfraquecer o movimento e poder de reivindicação da classe de professores objetivando a completa sujeição do ensino aos moldes que se encontram em nosso estado. No Rio Grande do Norte, o ensino nunca foi e talvez, se depender de quem esta no governo, será levada a sério. E os professores será sempre uma categoria marginalizada pelos governantes e culpada por uma sociedade sem educação que não tem capacidade de exigir daqueles que realmente podem fazer alguma coisa para mudá-la os seus governantes. Por isso procurem, movimentem-se no sentido de exigir melhoras naquilo que eles sempre prometem em toda eleição!
Agradeço a todos e peço que o todo poderoso nos ilumine nesta caminhada
Rmj.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

NA OBSCURIDADE DA ALMA HUMANA


Dificilmente em nosso dia a dia somos intimados a enfrentar nossos monstros, escondidos em nossa alma. O problema do mal no século 20 e 21, parece ter perdido o significado diante das atrocidades constatadas em duas guerras mundiais e na realidade dos campos de concentração. Ou será que ela apenas virou outro tipo de “mal” só que admitido por nós e absorvidos como algo que faz parte de nossa alma. Seja como for convencionou-se de dizer que o mal tornou-se banal e corriqueiro como postula Hannah Arendt, porque os homens não se identificavam com ele e por isso alienavam-se de sua presença.
Mas talvez esta alienação não se dê devido o fato de finalmente percebermos que somos propensos ao mal e, constatando isso, surja o “pathos” (espanto) por reconhecer esta verdade que realmente somos maus e capazes dos atos mais atrozes e descabidos diante da tendência incessante por satisfazer os desejos mais baixos e errôneos de nossa alma. Sócrates diz que erramos por ignorância, porque desconhecemos a verdade residente em nossa razão, em um mundo mais que perfeito. Mas nós não somos guiados pela razão, porém por nossas paixões e o mal nada mais é do que os sentimentos desmedidos de nossas emoções mais egocêntricas como postula Hume.
Seja como for, no Brasil, estamos caminhando perigosamente para a banalização do mal postulado por Hannah Arendt, isto se dá através de leis ineficazes, da corrupção escancarada, das emoções desmedidas entre muitas outras coisas. De outra forma, penso que já ultrapassamos este pensamento, à medida que o mal é apenas a constatação tácita de nossos piores pesadelos que esta na obscuridade da alma humana. Mas isso nos levaria a perguntar então, se o mal já é banal e que já estamos propensos a fazê-lo de qualquer forma o que podemos fazer para evitá-lo? Ora a resposta não é simples o mal não é uma entidade aquém de nós muito menos um fato isolado na historia humana será que os homens não eram desde sempre propensos a banalizá-lo. O que acontece hoje em dia é a pura constatação de nossa total admissão do mal em nossa sociedade, a sua contraparte, o bem, parece ser um objetivo inalcançável e somente com muito sacrifício é que chegamos próximos de alcançá-lo, entretanto o mal é bem mais fácil é quase tentador.
Por fim, poderíamos dizer que o mal seria, então, constituinte de nossa natureza? Não podemos saber, mas parece ser bem mais fácil atingi-lo do que o bem. Esta discussão parece distante das pessoas comuns, mas ela é frutífera e nos faz indagar e perguntar até que ponto estamos dispostos a evitá-lo e abrir mão de suas tentações e do desejo egoísta que a ele esta atrelado. Ir contra este desejo parece nos levar a nadar contra a correnteza, ir de encontro a nossa própria tendência, mas é um puro fato de sobrevivência como o diz Hobbes. Temos que anular nossa natureza e a tendência para o mal em busca do bem comum que é o nosso próprio bem. Seja como for, apenas exercitando este lado humano, retirando a parte boa que quase todo o tempo ela esta mergulhada na sombra do mal é que nossa humanidade será capaz de resgatar aquilo que denominamos de bom ou de sumo bem como bem falou Santo Agostinho.
Humildemente agradeço a todos, Renato.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PROFISSÃO PROFESSOR: INDIGNIDADE E PROTESTO

Vendo o vídeo em que a Professora Amanda Gurgel fala sobre a educação de maneira geral, não só do Rio Grande do Norte, mas de Todo o Brasil. Me levou a pensar na repercussão que teve seu desabafo em relação ao desgaste já há muito estabelecido sobre esta profissão, que vem se tornando cada vez mais desvantajosa e muitas vezes desencorajadora. Investigando as redes sociais e matérias pela Internet, constatei que muitas pessoas, sejam elas educadores ou não se sensibilizaram com o desabafo da Amanda. Entretanto no meio dos comentários encontramos várias pessoas que criticavam a sua fala, isso faz parte da Democracia, pois opiniões diferentes devem ser consideradas tanto quanto aquelas que vem a nosso apoio. Entretanto, o que me preocupa é a velha retórica embutida na argumentação utilizada pelos vários comentários postados nas páginas na Internet.


Muitos dos posts acusam o discurso da Amanda sob o viés da pura reinvidicação material de ganhos, como se ele fosse construído pautado apenas nos ganhos pessoais, tendo inclusive esquecido matérias tão importante como estrutura e condições de trabalho. Além de acusar a professora de tecer um discurso "tendencioso" partidarista - sindicalista que não tem como objetivo a melhoria da educação, mas antes toma a defesa de uma facção partidária. São inúmeros os que acusam-na em sua fala a hegemonia da relevância salarial em prol de outros problemas que são inerentes a profissão de professor.


Mas não é isso o que observamos no discurso da Amanda Gurgel. O tema por ela abordado vai além do apenas salarial. Sua fala vem a denunciar a falta de dignidade do exercício da profissão de professor, da ausência de profissionalismo na categoria, vem inclusive a denunciar a falta de condições materiais e intelectuais da educação e porque não dizer da má vontade de alguns mestres do giz em ensinar. O discurso da Amanda simboliza bem mais do que o salarial, ele vem a materializar tudo aquilo que gostaríamos de escutar de alguém quando se fala de educação. O que ela diz no vídeo é a demonstração tácita da pouca referência e valorização que a profissão oferece para o jovem universitário que já reflete se quer ou não seguir uma profissão que já nasce morta antes mesmo de se efetivar. São muitos os exemplos que tenho ouvido e presenciado de negativas de alunos quando perguntados se seguiriam a carreira de professor. As respostas quase sempre são as seguintes "só faço licenciatura para obter o diploma e poder arranjar um emprego melhor" outros dizem "só vou ser professor se for o último caso, fora isso prefiro ficar atrás de um balcão de loja ou estacionar carros em ruas que ganho mais e vivo sem aborrecimentos", e o pior e mais humilhante é escutar da boca de professores efetivados e recem chegados que querem abandonar a profissão por outra, quando dizem: "hoje em dia, ser professor é sinonimo de mendicancia e desrespeito, ninguém nos elogia ou escutam o que dizemos, somos um nada, então porque ensinar?" . E ainda o que podemos falar ou expressar quando escutamos pais dizerem sobre os professores em greve que: "são verdadeiros mercenários e vagabundos que tem preguiça de ensinar" ou pérolas como esta "para que ganhar mais se eles tem mais de um emprego?" existem outras como "professor é o melhor das profissões, pois tem duas ferias por ano e trabalham em casa". E o que dizer das acusações sobre a classe de ser tendenciosa quanto a defender determinado partido? De fato não há o que falar, pois parece que já fomos a muito julgados sem, como é de costume, ser escutados.


Amanda em seu discurso para a câmara dos deputados do RN que defendem o atual governo do DEMO, vem apenas externar a insatisfação e desgosto que a profissão de professor no Brasil esta fundada. As acusações de tendência a defender determinada ideologia política é errónea, devido não haver, como expressou Amanda Gurgel, nenhum Governante que tenha tomado a educação como prioridade em seu governo! A insatisfação da classe que Amanda tão bem expressou vai além do salarial, ela segue-se a completa falta de perspectiva em que esta inserido todo o processo educacional. Fala-se entre os educadores em falência do Estado em conduzir a educação. Basta para isso vermos a enorme quantidade de alunos analfabetos funcionais e semi analfabetos que chegam a 6ª, 7ª, 8ª e 9ª série e não é raro chegarem a níveis médios e superiores sem saber ler e quando sabem não sabem o que escreveu. Todo o processo esta errado, seja ele de cunho pedagógico, estrutural, de proteção ao ensino e de investimento. Nestes termos para aqueles que defendem a acusação a respeito do carater mercenário dos educadores, eu me pergunto, então quanto para vocês vale a educação dos seus filhos? 10 R$ rais, 20 R$ reais, 1.000 R$ reais, quanto valem os seus filhos? Se seguirmos a lógica seria de dizer muito....não teríamos como estabelecer uma quantia satísfatoria, mas outras perguntas nos surgem quem ganha com o fracasso da educação? As escolas particulares, os cursinhos preparatórios para o vestibular, os professores particulares? quem ganha? os Políticos que preferem a massa ignóbil e bruta que não tenham nenhuma perspectiva de revolta ou de análise critica para cobrar seus abusos de poder e desvios de conduta, quem ganha então com a falência da educação, quem???? São tantos os acusados que perdemos de vista o essencial, a saber, que todos nós como cidadão somos responsáveis pela educação quando votamos e esquecemos após a divulgação do resultado do pleito de exigir dos ganhadores suas promessas, somos nós os grandes culpados pelo o estado em que se encontra a educação tanto do RN como do Brasil.


Quando Amanda fala na câmara exigindo mais respeito com a profissão a secretária de Educação do Estado ela não se restringe somente aos professores este respeito, mas a todos os que fazem parte deste processo, como alunos, merendeiras, pais de alunos, sociedade, juízes, comerciantes, empresários, padres, pilotos de avião, engenheiros, ministros, presidente ( apesar do senhor Luiz Inacio Lula da Silva dizer que para ser presidente não era preciso muito estudo, o que eu discordo e acredito sinceramente que ele não falava sério), jornalistas, policiais, bombeiros, e, .......políticos necessitam de igual respeito.


Não obstante o sintoma a respeito da pouca relevância que a educação tem para os governantes, expresso por Amanda Gurgel torna-se preocupante a medida que identificamos na desvalorização da profissão de professor, a falta de perspectiva da formação de um povo brasileiro competitivo tanto a nível mundial como a nível de mercosul, pois constata-se que qualquer país parte na frente de qualquer disputa comercial e capitalista aquele país que possua mão de obra qualificada e que se exija cada vez mais um nível de estudo maior e que não nos encontramos preparado, e, que ao contrário somos desestimulados a tê-lo, então o que será de nossos filhos? Garanto que os filhos de grandes empresários e comerciantes não desejariam ver seus filhos operando aparelhos de telemarketing ou trabalhando na construção civil embuído de poeira e coberto de pó de cimento, ou melhor ainda, sendo professor de língua estrangeira. Se os empresários, comerciantes, hoteleiro e sociedade em geral não prestarem atenção ao discurso que a décadas os professores e educadores deste país vem fazendo não haverá volta, entraremos definitivamente no mundo das trevas....rumo a barbárie, isso se já não estivermos.


Por fim, tenho a dizer que de fato Amanda Gurgel mostrou muito bem o rumo em que se encontra a educação brasileira que se mostra sucateada e sem perspectiva de melhora. Denuncia, também o cinismo e pouco caso, como podemos observar nos rostos dos deputados, no vídeo, a sua verdadeira preocupação que é defender aquilo que lhe é favorável e deixar de lado aquilo que deveria ser sua prioridade que é o povo ou a sociedade. Deste modo, não é novidade ver que os alunos tem pouca importância para os senhores da assembleia legislativa do Estado, acredito que é assim em todo o país, pois o que importa é que os professores voltem cabisbaixos ao arremedo de suas aulas e finjam que ensinam enquanto os alunos finjam que aprendem para que eles voltem a tranquilidade de seus gabinetes. Por último gostaria de dizer e frisar que o movimento dos professores como "CLASSE" organizada não vem defender nenhuma bandeira de partido político nenhum haja vista que o movimento passou já por inúmeros governos e nenhum deles fez nada a favor da educação do país ou de qualquer Estado. O movimento não tem cunho meramente salarial, pois o ambiente ruim, violento e desalentador da educação já passou do nível de mera reivindicação salarial e esta mais para um pedido de ajuda e de respeito, pois encontramos posição semelhante que apoiam este discurso em declaração de futuros ou não professores de historia, letras, geografia, matemática, física, química, educação física e etc... quando dizem " nem se me pagassem R$ 5.000,00 (cinco mil reais) eu seria professor, não vale apena, não é o sálario, mas as condições materiais, organizacionais e profissionais que não são estimulantes....eu simplesmente não me interesso por seguir uma carreira que não sou respeitado por um pai quando lhe peço o mínimo, que é observar se seu filho faz a tarefa de casa ou quando o mesmo vem armado (algumas vezes é policial civil ou militar) perguntar porque o seu filho não passou somente em minha matéria!"





segunda-feira, 18 de abril de 2011

Sobre a Tolerância e a violência contra Homossexuais


Penso que quanto mais se vive menos se aprende, nesta vida. Este adágio parece concretizar-se a medida que nossas sociedades avançam, e, pressupomos com isso que as pessoas também progridem em seu pensamento. Entretanto, não é isso que constatamos. As leis avançam, o tempo avança, as sociedades avançam e as cidades avançam. Só o que não avança é o ódio e a intolerância instituída no coração e na mente dos homens. A história esta cheia de exemplos de intolerância instituída nos homens e em suas sociedades. Antigamente, crianças, adolescentes, velhos e mulheres eram considerados meros objetos e não possuíam nenhum poder de intervir nos assuntos relativos a sociedade e a política. Mas antes disso, na antiguidade, existiam os escravos que eram servos submissos e sem nenhum direito a nada. Nenhuma lei, nenhuma justiça. Os seus corpos não eram seus, sua vida inclusive não era sua. Eles eram considerados na escala de importância da humanidade, um nada. A cor da pele mais tarde, teve grande relevância para justificar o injustificavel, a saber, existem raças que devem e necessitam ser escravizadas, por sua inferioridade perante aqueles de "pele" alva. Exemplos disso são os negros que por séculos foram feitos escravos e tinham sua submissão justificada por serem diferentes e de raça inferior. Infelizmente, muitos homens peseudo - inteligêntes se acharam no direito de determinar que raça se enquadrava no critério escolhido da escravidão para aquela que deveria ser o seu senhor. Para embasar isso, foi erigido todo um aparato jurídico e filosófico para fundamentar este pensamento. Não obstante, com o passar do tempo e os vários avanços instituídos na sociedade, a escravidão sobre qualquer nível passou a ser considerado um crime e de certa forma inaceitável. Contudo, apesar dos avanços, continuamos a lutar contra outro crime que é uma decorrência da escravidão, a saber, o preconceito. Entretanto o preconceito não é um estigma atrelado apenas a escravidão, mais a todo e qualquer tipo de tentativa de "enquadrar" comportamentos, particularmente os de âmbito sexual, de raça, credo, partidos políticos, géneros seja ele de pequenos grupos como punks, gótico, metaleiros, new age e etc.

A palavra preconceito é entendida no mini - dicionário Aurélio como sendo: sm 1 - idéia preconcebida; 2 - Suspeita, intolerância, aversão a outras raças, credos, religiões, etc. (AURÉLIO, 2001, p. 551). Decorre que esta palavra é a grande questão do adágio inicial. Não estou querendo especificar qual preconceito em particular devemos nos concentrar, mas devemos falar sobre como evitar de cultivarmos o ódio e aversão a àquilo que nos é diferente. No passado, como observamos anteriormente, os homens distinguiam-se pela cor da pele ou por sua orientação religiosa. Contudo, o preconceito e a intolerância sempre estiveram lá, assim como ódio. Na historia perde-se o número de vidas de pessoas que sucumbiram perante a histeria e ódio generalizado, porque eram simplesmente diferentes. Seus direitos eram cancelados e suas vidas negadas por não terem se enquadrado nas regras impostas pela sociedade. Assim o que almejamos é simplesmente estabelecer uma cultura de paz e de tolerância entre os homens, buscando com isso não submeter as pessoas através da força bruta, mas procurar convencê-las se possível. Caso não o seja, simplesmente acolher e procurar conviver da melhor forma possível. Deste modo só existe uma forma de nos relacionarmos e conviver com outros indivíduos que é através do duro exercício na tolerância.

No dicionário abbagnano temos duas definições para Tolerância. A primeira esta relacionada com "(...) Norma ou princípio de liberdade religiosa. Algumas vezes se considerou pouco apta a designar esse princípio uma palavra que significa "paciência", mas na realidade ela foi o emblema dessa liberdade, desde as primeiras lutas empreendidas, por meio das quais se afirmou em formas ainda hoje frágeis ou incompletas" (ABBAGNANO, 2003, p. 960). Encontramos mais adiante no mesmo dicionário uma segunda definição que diz: "O primeiro a basear a tolerância em argumentos objetivos foi Spinoza, que apresentou em seu favor o argumento por excelência, ou seja, a violência e a imposição não podem promover a fé, portanto, as leis que se propõem esse fim são inúteis (Tractatus theologico-politicus, 1670, cap. 20). Desse ponto de vista, é clássica a Epistola sobre a Tolerância (1689). Nesse texto, Locke demonstra que, ao examinar independentemente o conceito de Estado e o de Igreja, o princípio de Tolerância acaba sendo o ponto de encontro de suas respectivas tarefas e iinteresses" (ABBAGNANO, 2003, p. 962). Contudo, apesar de Locke ser um dos fundadores do liberalismo, os seus escritos que versavam sobre a tolerância ainda continham o vicio religioso de um fideismo extremado quando diz:"(...) quem nega a existência de Deus não deve ser tolerado de nenhum modo". Decorre que só foi com o iluminismo francês no século XVIII e do pensamento político liberal do século XIX que se chegou a a reconhecer o princípio de tolerância em sua forma completa, que é exposta acima. Assim podemos concluir que a literatura posterior pouco ou nada acrescentou às justificações desse princípio apresentadas por Locke; nesse sentido, tampouco se distingue o Tratado sobre a Tolerância (1763) de Voltaire, cuja justa fama se deve a influência histórica que exerceu.

Por fim, o que observamos é a escalada da intolerância aumentar cada vez mais. Na contemporaneidade é ainda pior. Herdamos do século 20 duas guerras mundiais, a última claramente tinha conotações de intolerância a raças e géneros que só se avolumaram com o seu termino. Observamos hipocritamente que passamos um verniz em nosso discurso floreando-o com palavras idílicas e acolhedoras, como por exemplo, vamos tolerar as diferenças, vamos pregar a paz entre religiões ou vamos defender a causa dos homossexuais e dos negros, estas duas frases são clichés hoje em dia em nosso país. Aliás para quem vem de fora passamos uma imagem falsa e demagógicas que vomita aos quatro cantos a palavra tolerância devido a grande variedade de cores e de géneros. Entretanto, o que vemos é a hipocrisia e a cara de pau estampada em nossos rostos quando dizemos que não somos preconceituosos ou homofóbicos , quando na realidade somos tudo isso elevado ao cubo. Maneiras para ilustrar isso não falta, como por exemplo a grande divida e o preconceito velado que temos contra os negros, crioulos, índios e nordestinos que são "todos" sem excessão habitantes deste país e que contribuíram, e, ainda contribuem para o avanço deste país e que continuam sendo, mais ainda, nos últimos tempos, discriminados. Outro exemplo são os constantes assassinatos cometidos contra os homossexuais, que vem se tornando rotina e que mostra a marca mais perversa existente nos corações dos homens que é o ódio a um outro ser humano. Caso se não faça nada o que esperar deste verdadeiro exercício de desumanização a que esta passando o ser humano. Acredito que, tal como os homens da Renascença tenhamos de redescobrir o caminho de ser humano. Do contrário, não quer ver a sociedade regredir até os primórdios da humanidade onde a força era a lei e a espada a razão.


humildemente.....Renato, Desejando boa saúde e vida longa a todos!!!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

“A culpa é da Sociedade”

A sociedade é culpada: Esse foi um entre outros discursos gritados nesses dias que sucederam a “tragédia do realengo”, assim é como ficou conhecida a notícia de que um jovem invadiu uma escola onde antes estudara e atirou, sem motivo aparente, contra os alunos, matando 12 crianças e em seguida atirando contra sua própria cabeça.

As reações a chacina na escola no Realengo são inúmeras, intensas e distintas. Alguns se colocam no lugar dos pais das vítimas, no das próprias vítimas e também no lugar do assassino, outras sentem raiva, revolta, indignação com a sociedade e ou com Deus... Procuram culpados onde só vejo vítimas.

Constatei sobre as típicas reações brasileiras em relação a esse evento, e muitos outros casos que a mídia já sugou até a ultima gota de sangue. Como as pessoas se solidarizam com a dor do outro. Daí vem meu questionamento. Como se aplica pragmaticamente uma moral nos “tempos do cada um por si e Deus por todos”?

Sendo o ser humano egoísta por natureza como disse Kant, qual a vantagem em se por no lugar dessas pessoas? Chorar, sofrer e se indignar... A frase “podiam ser minhas filhas ou as suas” sai das bocas alheias quase que em coro. A quem queira dar uma de psicólogo, estudando a carta do assassino numa reflexão psico-sociológica, concluindo que o mesmo foi mais uma vítima da sociedade instauradora de padrões, do bulling ou sabe se lá do que mais. A quem apele pra Deus e o fim dos tempos. Mas com toda certeza tomar a dor alheia é o papel mais significativo do brasileiro comodista de outrora.

Parece uma autoafirmação de ego, com a qual os brasileiros se sentem um pouco melhores por não fazer nada em relação a coisa alguma. Sentir pena é atitude nobre frente aos que tem coragem egoísta de assumir que não se afeta com o fato por não se tratar de algo íntimo e pessoal.
 Num país no qual a desigualdade é um verme que corrói as paredes da dignidade. A miséria, a má educação, o preconceito, a corrupção e acomodação entre muitas outras “tragédias” da ordem político-social parecem ser muito mais aceitáveis quando nos deveria comover e indignar severamente. Existem muitas crianças mortas pelo chão, mas essas que são maioria estão mortas de fome e de frio. 

Essa tragédia ainda tão particular em relação a esses tantos fatos permanentes no país mobiliza por demais falsos moralistas, fanáticos por desgraça alheia e por uma afirmação do apocalipse em vias de fato. Uma tragédia fabricada pela mídia sanguessuga, que incita essa onda de indignação e que tanto e tão intensamente manipula. Parece o final que os brasileiros querem ver na novela para atestar essa demagogia coletiva de que ser bom é sentir pena e tomar a dor alheia. O que não quer dizer fazer o bem.

 Fazer do sofrimento do outro ser humano um meio para auto-afirmar sua bondade. É bem contrário ao que dizia Kant na sua máxima “age de tal forma que trates a humanidade, na tua pessoa ou na pessoa de outrem, sempre como um fim e nunca apenas como um meio.”

Para cada ato, uma omissão. Para cada sentimento de compaixão a remissão de um “pecado”. 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

CCN abre inscrições para cursos gratuitos

O Complexo Cultural de Natal localizado na Zona Norte da cidade abre vagas para cursos e oficinas em diversas áreas, todos gratuitos.



Serviço:

Quando? De 31/01 a 04/02/2011

Onde? Av. João Medeiros Filho S/N - Conjunto Potengi. 

O que precisa? Cópias do CPF/RG, comprovante de residência e duas fotos 3x4. Para a inscrição é cobrada uma taxa semestral de R$ 10,00 (dez reais)









sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O CLIMA DE UMA TRAGÉDIA QUE SE ANUNCIA




Recentemente, o IBAMA e os órgãos ambientais do Rio Grande do Norte fizeram um voo sobre a Região Sul de Natal/RN. O objetivo primordial era localizar e identificar os locais de posse irregular e edificações feitas sem o devido estudo e aprovação dos órgãos ambientais. O foco principal é bastante claro, segundo o Ministério público e os representantes dos órgãos ambientais, prevenir e controlar as chamadas zonas de protecção da mata nativa e o que restou de mata atlântica e morros. A intenção é louvável e bastante pertinente, porque diante das profundas modificações ambientais e climáticas que certamente virão a atingir nosso estado, e já atingem o mundo, faz-se necessário um estudo mais pormenorizado dos perigos das chuvas e das conseqüências que poderão vir a ser ocasionado através da queda de barreira e enchentes. Mas o sentido mais importante, esta na prevenção e conscientização de que ocupar um lugar e fazer prédios, condomínios e casas sem se preocupar com o clima e com o meio ambiente.

No mundo todo, o respeito ao meio ambiente e ao clima já é uma realidade que se faz presente. Não há como ser diferente, pois todos nos somos afetados pelo clima e pela natureza. Talvez, o mundo aprendeu isso já muito tarde, pois tanto a Europa quanto a América do Norte tem muito pouco de sua vegetação natural enquanto nós do Brasil, ainda, por enquanto, mas perceberam com uma certa demora que é necessário respeitar a natureza e o clima. É esta visão atualissima que convoca toda a capital do país a lutar pela ocupação ordenada e manutenção de matas nativas nos morros, na proibição de construções em terrenos que deveriam serem redutos de mata e de permanente preservação como as dunas e mangues que se faz necessário de uma nova consciência ecológica.

É esta visão que levou a prefeitura de Natal/Rn a dá relevância ao aspecto ecológico e preventivo as mudanças climáticas na capital, torna-se importantíssimo para as gerações futuras e para prevenção de futuros acidentes e prevenção de trágedias. As decisões que serão tomadas a partir destes estudos serão bastante importante para a tomada de decisão futuras sobre como se dará a ocupação dos espaços da cidade e protesão das matas nativas.

Um dado preocupante esta em alguns setores que concentram uma certa parte da economia do nosso estado, particularmente o setor hoteleiro e construção civil, que utilizam a velha retórica de que os interesses ecológicos impedem o desenvolvimento do Estado e que nossa capital esta na contramão de todos as capitais do pais que investem maciçamente no desenvolvimento da construção civil e da edificação de novos prédios. Este discurso é bastante antigo; estamos diante do velho embate entre desenvolvimento irresponsável e irracional versus ocupação racional e estudado, respeitando as particularidades de cada terreno e seus possíveis desníveis e irregularidades.

O ponto central da discussão esta na seguinte perspectiva, se os nossos interesses particulares e económicos se sobrepõem aos da segurança e da vida, então porque habitar ou ocupar um lugar que esta fadado a abreviar nossa existência. Os interesses económicos não levam em consideração que o clima ou o terreno pode mudar conforme os ditames da natureza e com isso pode ocasionar vários desastres que poderiam ter sido evitados. É através da antecipação dos possíveis eventos que poderiam vir a ser desastrosos que as novas formas de ocupação e edificação deveriam se pautar. Entretanto, os monopólios e interesses particulares quase sempre se sobrepõem ao da maioria.

Em nossa capital esta é uma discussão que ainda vai muito longe, mas que se faz necessária. Mudança climática é coisa séria basta ver os noticiários pelo mundo a fora. Não pensemos que estamos longe desta realidade. O clima é realmente inprevísivel e construir sem levar em consideração o terreno, a mata nativa ou os demais espaços ecológicos, torna-se irresponsável e temerário. devemos levar em consideração que o interesse de poucos que nos mostra ilusoriamente que os "seus interesses" são os "nossos interesses" é mera retorica que nos levara a um suicídio auto imposto.

Por tudo isso, apoio a iniciativa do IBAMA, Ministério público e dos órgãos ambientais, na fiscalização e multa dos infratores que ocuparam e construíram em terrenos irregulares que não foram autorizados pelos órgão competentes. Além disso a comissão verifica a concessão que foi dada a determinadas construções que foram feita sobre dunas e que desmataram determinados locais de proteção ambiental para fazer condomínio e edifício. Devido a isso, devemos convocar toda a sociedade para dá seu a poio a esta iniciativa que é louvável, mas antes de tudo importantíssima na prevenção e acidentes na capital.



domingo, 2 de janeiro de 2011

Acampamento Cultural de férias

Pra quem tá no ócio nessas férias ai vai uma dica boa. Começam na próxima semana, segunda feira e vai até o dia cinco de janeiro, as inscrições para o I acampamento Cultural de Férias do Complexo Cultural de Natal - CCN. 
O CCN irá oferecer em torno de 330 vagas para 8 modalidades de cursos e vivências de grupo que ocorrerão entre os dias 08/01 a 29/01. Dentre as atividades ofertadas estarão as de dança de salão, dança geral, alongamento, Tai chi, oficinas de teatro, de origami e escotismo. Os interessados devem comparecer ao CCN entre os dias 03 e 05/01, das 9h00 às 17h, portando cópias de RG e CPF. A taxa de inscrição para cada atividade por pessoa é no valor de RS 10,00, incluindo já o material a ser usado pelo participante. Uma outra novidade é a I Mostra de Cinema Nacional do CCN que ocorrerá somente aos sábados, 08/01, 15/01, 21/01 com uma sessão infantil às 17h e uma sessão adulta às 19h, com entrada gratuita.
O CCN fica na Av. Dr. João Medeiros Filho, Zona Norte. Mais informações podem ser obtidas pelo (84) 3207-8789 ou através do e-mail: ccn@uern.br.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

LIVROS: leitura e resistência


Ler, Ler sobre tudo! não é apenas uma palavra, frase solta ou tola, desprovido de um contexto que seja. Nossos leitores, ainda são poucos, alias insuficientes. Os livros são caros e tornam-se inacessíveis por não haver uma cultura de sua utilidade prática para nossa saúde mental. Apenas o físico importa? Não há estimulo para os mais jovens para os lê-los, afinal porque perder tempo com algo que eu posso obter na Internet ou que prejudica aqueles que ganham com a ignorância e analfabetismo do povo/eleitor. Nossos pais e amigos, os conhecidos, ninguém é estimulado a ler. Nosso país deseja resguardar o futuro dos jovens, mas como se não há futuro imediato que se vislumbre no horizonte!

Nós somos aquilo que escrevemos e lê-mos. Isso quando temos chance. Porque famílias pobres, pressupõe analfabetas, e, desprovido do básico para se poder ler e escrever. Os nossos alunos, a maioria pobre em todos os sentidos, não são estimulados a ler porque ninguém ganha com isso, se ganha mais com sua ignorância.


Mas, não podemos por como empecilho para a possibilidade da formação de um público leitor a dificuldade escolar, apenas. A sociedade põe o problema do analfabetismo, pautado puramente na falta de estrutura escolar, tanto de professores, quanto de políticas públicas que estimulem a leitura e, também inclui a boa vontade do Estado. Todavia, o acesso ao livro propriamente dito, continua um impedimento ao estimulo a formação de novos leitores.

Acho necessário mostrar algumas tentativas e possibilidades de formarmos leitores, através da iniciativa de algumas editoras, como por exemplo a editora Abril. Esta Editora começou a algum tempo de promover lançamentos de clássicos da literatura que não é de hoje. Cada livro custa o valor de R$ 14. 90 reais cada. As edições são semanais e o acabamento é de ótima qualidade. Além da Abril existe as edições da L& PM pocket que variam de preço conforme a obra. Temos preços de R$ 8,00 reais até R$ 25,00 reais e são, igualmente, de ótima qualidade. Temos, também a Martin Claret e mais uma editora surge no mercado editorial com um claro objetivo de proporcionar livros mais baratos e acessíveis que é a piguin editores. O mercado, portanto, esta aquecido e propenso a incentivar e arregimentar mais leitores.

Estes são apenas alguns exemplos para mostrar que a literatura apesar de, ainda ter um valor elevado, já existem tentativas de popularizar e incentivar a leitura em nosso pais. Elas ainda estão engatilhando e acontecem muito lentamente. Mas essencialmente para termos um salto qualitativo e quantitativo em termos de aumentarmos os incentivos a leitura é necessário acima de tudo uma programa educacional e de formação em nossa sociedade de cidadão cada vez mais educados e letrados.

Dizer que livro, ainda é muito caro e inacessível é uma desculpa que não tem justificativa. Principalmente, da classe C e B que eram as mais pobres e que se pressupunha não ter dinheiro já não se justifica mais, a econômia de nosso país melhorou muito e conseguiu algum progresso e melhoria na condição de vida, mas essa melhoria não se refletiu no desempenho e estimulo a leitura e formação de nossos alunos. Ainda hoje acha-se mais barato e preferível comprar três garrafas de cerveja ou um litro de cachaça da boa ( ambas cusatam mais do que um livro comprado no sebo) do que comprar um livro. Ninguém pode, portanto, dar desculpas de que livros são caros ou inacessíveis porque existem várias maneiras de se adquirir este bem que parece a princípio não ser possível de ser alcançado. Todavia, como já mostramos acima, existem várias maneira de adquerí-lo sem que necessariamente em uma livraria. Existem hoje várias maneiras de fazermos nossa leitura, seja ela através das bibliotecas, amigos ou algumas vezes quando são jogados fora por pessoas tão ignorantes que não dão valor a peça tão importante que é o livro. Existe, ainda, maneiras baratas para adquiri-los através de sebos, cigarreiras e até de livrarias. Em nossos dias existem varias maneiras e estímulos para nos fazer ler. Já não há mais margem para darmos desculpas ou dizermos que não temos tempo para ler. Temos simplesmente que ler e muito, Sobretudo aquilo que nos proporcione prazer.

Seja como for, isto são só delírios de um leitor e um pseudo escritor. Não tenho pretensão de convencer ninguém, mas só mostrar que podemos ler, melhorar a leitura, assim como pessoa e ter acesso a educação. Desejo acima de tudo, para aqueles que ainda não são leitores assíduos e que acham leitura chata que reflitam e comecem a ler alguma coisa nem que seja bula de remédio. E para aqueles que já são leitores desejo que continuem e ajudem a propagar esta coisa incrível e gostoso que é ler.

Que todos tenham direito e acesso a leitura. Leiam bastatne tudo o que gostam. A literatura é democrática e livre.

Até mais. Abraços a todos. E que os céus lhes iluminem!!!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cultura dos Sebos e Sustentabilidade.

Fazer compras em Sebos para algumas pessoas parece coisa de velhos, exóticos, barbudos e mal- encarados, que vivem em porões empoeirados rodeados de livros. Mas quem anda pela cidade alta, beco da lama e adjacências, conhece de perto como funciona esse comércio aqui na cidade.




A cultura de venda e troca de objetos usados, sejam eles livros, CDs, vinil, dvd, é algo cada vez mais em conta hoje com a era da sustentabilidade. Passar seus objetos “pra frente” (doando, trocando ou vendendo) é uma forma mais "ecologicamente correta" de se desfazer do que não se quer mais, sem ter que gerar mais e mais lixo. Quem compra nesses ditos Sebos, reutilizando objetos que antes iriam ser jogados fora e ainda evitando alimentar a produção desenfreada de produtos de bens de consumo, está fazendo sua parte.



Então para quem pratica essa cultura sebista, seja comerciante ou cliente, está contribuindo com pelo menos 2 dos Rs fundamentais da sustentabilidade[Reduzir, Reutilizar], para o futuro de um mundo melhor. Que lindo isso!



Sem falar na economia em fazer compras com preços muito mais baixos, e ainda achar livros de edições e coleções raras, que não encontramos mais em livrarias.


E não é sempre verdade que os sebos são lugares, sujos e desorganizados, ao exemplo o Sebo Potiguar, na Av. Rio branco, 784, cidade alta, onde encontramos um espaço organizado, ótimo acervo e atendimento com quem entende do assunto. O dono Sebastião Cavalcanti, um amante de autores como Kafka e Dostoiévski, ainda disponibiliza a venda de seu acervo pela internet, uma facilidade a mais para quem não tem tempo. Lá eu mesma encontrei livros, que não encontrei em nenhum outro sebo aqui em Natal.  Tem de tudo um pouco, Clássicos da literatura, livros da "moda" tipo crepúsculo essas coisa e ainda raridades. Vale a pena conferir.

Fica mais uma dica!

Xêrus

domingo, 21 de novembro de 2010

Devaneio Literário [Parte 1]

Quando decidi ler literatura erótica, mandei um e-mail ao meu consultor de literatura e cinema e também professor Eduardo Pellejero, perguntando que livros ele indicava de inicio para eu começar minha saga literária pelo erotismo. Era recesso, eu lia A casa dos Budas Ditosos do João Ubaldo Ribeiro, emprestado da minha amiga Ceres, livro esse que em uma semana foi lido quase que a cada dia por uma mulher diferente. Encantei-me com a forma simples e corriqueira com a qual Ubaldo tratava temas margeados de tabu em seu livro. E como nos deixava a vontade para sentir-se amiga, fã, seguidora, confidente da “Velha” como ele mesmo chama. Em nenhum momento sabemos se é real ou fictícia, dada a verdade das palavras desenfreadamente ditas por ela sobre pura putaria.

Fui ao sebo com10 livros para trocar por novas perspectivas literárias, livros da minha juventude e adolescência, foi estranho ver como eu não me apegava àquelas histórias que havia lido outras épocas, até ria de mim mesma por ler autores como, Paulo Coelho, Marion Zimmer Bradley, e outros que nem lembro.
Enfim meu gosto literário estava se apurando, mudando ou mesmo se reconstruindo. Vi que toda minha vida li influenciada por pessoas da minha convivência, amigos, namorado, etc. Mas só agora na academia começava a dar meus primeiros passos, a decidir que tipo de literatura eu gosto, quais autores lerei, quais obras são essenciais, tudo isso fazia parte do que eu era agora, e podia sentir a força que tudo isso tinha.
Dos livros que o Eduardo me indicou, não achei absolutamente nada nos Sebos da cidade alta, mas sabia dos autores mais “famosos”, e fui procurar alternativas em suas obras, um deles foi Henry Miller. Depois de muito procurar, achei uma edição antiga de Sexus o primeiro livro da trilogia Crucificação encarnada, pensei, “num tem tu, vai tu mesmo”, troquei 5 livros meus em um único volume de 500 páginas, que realmente valeu muito à pena, pelo menos inicialmente em numero de páginas eu sai ganhando. Comecei a ler no ônibus voltando pra casa, seduzida por Henry Miller, porque para que eu goste da leitura tenho que me sentir atraída por quem escreveu e ele me deixava confortável pra isso, “ nem parece com os americanos que a velha da A casa dos Budas Ditosos descrevia, nem os estereótipos que eu costumo ver na TV”.
Miller era um americano atípico, quem sabe por isso simpatizeu com ele, nada de patriotismos, nem o orgulho americano se via presente naquelas páginas. Seus livros são autobiográficos, mas parecem, a meu ver, margeados  de fantasias e delírios dele, de qualquer modo Miller negou algum tempo que fossem experiências pessoais.
Na trilogia crucificação encarnada, Miller começa a expor seu anseio por querer escrever, a pesar de não ser seu primeiro livro é em Sexus que descreve a experiência de largar tudo, para somente escrever, madrugadas em claro esperando algo no papel. Em A Hora dos assassinos se compara a Rimbaud, mas nisso eles diferenciam totalmente, pois Miller diz ter largado a vida pra escrever, enquanto Rimbaud largou a escrita para viver.

“Temperado pela loucura e desperdício da mera experiência, dei um basta e concentrei minhas energias na criação. Mergulhei no ato de escrever” (Miller, p. 13).

Inclusive Crucificação encarnada se dá pelo fato do despertar literário de Miller acontecer aos 33 anos, idade da crucificação de cristo, é quando já no fundo do poço ele morre para o mundo e renasce para a literatura.
É em meio à pornografia e filosofia que nos excitados com a obra de Henry Miller.  

Serviço: 

A casa dos budas ditosos [pdf]:

Principais obras de Henry Miller:
  • Trópico de Câncer, 1934.
  • Primavera negra, 1936.
  • Trópico de Capricórnio, 1939.
  • Dias de paz em Clichy, 1939.
  • O Mundo do Sexo, 1940.
  • O Colosso de Marússia, 1941.
  • Sabedoria do Coração (ensaios), 1941.
  • Pesadelo Refrigerado, 1945.
  • O Sorriso ao pé da escada, 1948
  • Sexus [Crucificação Encarnada vol. 1, 1949.
  • Os Livros da Minha Vida, 1952
  • Plexus [Crucificação Encarnada vol. 2, 1953.
  • Big-Sur e as laranjas de Hieronymus Bosch, 1957
  • Nexus [Crucificação Encarnada vol. 3, 1960.
  • A Hora dos Assassinos (Um Estudo sobre Rimbaud).


sábado, 13 de novembro de 2010

A MORTE DO MANGUE - DESTRUIÇÃO E OMISSÃO QUEM PROTEGERÁ O MANGUE DE NÓS


Quem vem da Zona Norte e passa pela ponte que a separa de Natal, no sentido Tomaz Landin, observando do final do viaduto, do seu alto, perceberá um grande trecho do lado esquerdo da ponte, onde deveria existir uma grande quantidade de vegetação que cobrisse toda a extensão e que servisse de viveiro para peixes e para todo o eco sistema daquele local, viabilizando para os ribeirinhos mais uma fonte de subsistência para sua família. Todavia, o mangue do Rio Potengy, que encontramos hoje em dia, esta totalmente degradado e devastado, parecendo uma ferida exposta a nossos olhos, mostrando todo o nosso descaso e despreparo para cuidarmos da natureza e como falhamos em fiscalizar e cobrar das autoridades a aplicação da lei ambiental e da emissão de licenças para estas atrocidades. Este desdém permite que observemos, no mesmo lugar, por vários quilómetros rio a dentro, piscinas de criação de Camarão que foram fabricados e com o passar do tempo ampliados para fins de lucro e exploração. O argumento, para estes, esta no fundamento de que a criação do camarão trás não só a geração de dividendos para o "Estado" como de geração de empregos para os próprios habitantes da Zona Norte.

Mas será que era necessário, para fazer isso, haver uma degradação tão acentuada da vegetação quanto a que encontramos não só na margem esquerda que pertence a Natal, mas que já encontramos, igualmente, na parte direita do Rio em um claro processo de calterização dos rizomas e vegetação para se fazer mais piscinas de criação de Camarão na parte de São Gonçalo. Até onde o comércio desmedido e a busca de lucros cada vez mais acentuados serve de desculpa para nós com vista a ter a natureza como um recurso sempre disponível e inesgotável sem que assumamos uma posição mais responsável e ético da exploração de seus recursos? Sei que a destruição dos mangues de Natal e Zona Norte é um fato e São Gonçalo do Amarante esta indo no mesmo caminho. A destruição do Mangue acontece silenciosamente e pouco a pouco. Este processo deve ser assim, para não chamar a atenção tanto das autoridades quanto da população. Não obstante, basta para constatar os danos já presentes a toda uma comunidade minoritária representada pela figura dos pescadores e caçadores de caranguejo que já encontram dificuldade para encontrar alimento e sustento para suas famílias. O desaparecimento de determinados peixes e caranguejos é apenas uma dos muitos indícios que demonstra o futuro negro que esta porvir em nosso Estado.

A morte do Mangue da Zona Norte acontece pouco a pouco e silenciosamente, porque tem um motivo bastante pertinente, os seus algozes não querem chamar a atenção das autoridades, imprensa e nem do público. Interesses escusos visam, apenas, o lucro e crescimento do consumo e para isso utiliza toda a linha capitalista de argumentação para justificar o aumento da degradação do mangue e a construção de mais piscinas de criação de camarão. Mas eles trabalham e contam, igualmente, com a apatia e perfídia da própria população local que "fechados" em suas vidinhas medíocres, só se importam com a chegada do fim de semana para ir as festas e consumir sua cerveja, vivendo, comendo e bebendo como verdadeiros carneirinhos guiados, adormecidos em um plácido sonho que quando acordarem descobriram estarem em um pesadelo. O pesadelo e terem descoberto que aquilo que havia de maior valor foi consumido por um punhado de indivíduos que acham que lucrar é o único sentido que a vida tem. E assim o povo continua a ser povo, ou melhor, semelhante a bois continuam a ser guiado por um ou dois peões tendo por trás os seus donos.

Realmente esta vida é uma ilusão. Basta vê os artifícios que encontramos nos criadores de Camarões que para não escandalizar a população da Zona Norte, deixam um pequeno muro mequetrefe e ridículo de arbustos que separam o rio da grande área desolada das piscinas para nos passar uma impressão de natureza intocada. Não é preciso fazer um esforço muito grande para constatar a perfídia que estes senhores utilizam para freiar a possível indignação e ofensa que os cidadãos da Zona Norte pudessem externar (como se isso fosse preciso para uma região tão esquecida para Natal que só é lembrada no dia das eleições, que possui pessoas de memória tão curta e de índole tão submissa).

Existe outro fator que não consigo me acostumar; relacionado a permissão dada pelos órgãos ambientais a estes criadores, como por exemplo o IDEMA, que é o órgão regulador ambiental do Estado que consentiu que estes senhores, donos das piscinas de camarão, fizessem uso das antigas salinas que não tomavam antes deles, tanto espaço e isso pode-se constatar pelas muitas fotos que temos de quinze ou vinte anos atrás, quanto a quantidade de devastação e desmatamento que encontramos hoje. Não sei se é ingerência, omissão, falta de pessoal para fiscalizar ou qualquer outro fator. O fato é que estamos perdendo o nosso Mangue (e que diga-se é um bem de todos) para um ou dois empresários que justificam a destruição e degradação ambiental através de números de geração de empregos, pagamento de impostos e que não esta ai nem para a região quanto mais para a cidade. O que esta em jogo afinal? O que esta em jogo nada mais é do que o lucro e o custo-beneficio, pois é muito mais difícil e custoso utilizar de técnicas de criação de camarão obedecendo determinados parâmetros ambientais que só seriam restituídos depois de um certo tempo de investimento quando, de outro modo, pode se obter lucro rapidamente, mesmo que para isso alguma coisa seja destruída pelo caminho. Ora isso nada mais é do que a lógica capitalista, lucrar desmedidamente e sem responsabilidade com outro quanto mais com a natureza.

Desta forma constatamos que a humanidade continua em sua caminhada megalomaníaca, sem se preocupar consigo e nem com o outro, imagina com o mundo em que ele esta inserido. É por isso que se faz urgente "nós" da Zona Norte, devemos acordar e sairmos desta completa sonolência que nos dominou, desde sempre, para nos movermos em direção a um novo tempo em que somos constantemente convocados a tomar uma posição sobre nossos motivos, sobre nossa opinião, sobre a vida. Deixemos todo o ranço, a bebedeira, as festas fúteis, as torcidas partidárias e assumamos uma postura desafiadores frente ao mundo e frente a vida. Não é só a natureza que precisa de uma atitude e um posicionamento ético claramente definido, nós também necessitamos nos posicionar contra toda e qualquer tentativa de alguém achar que só porque tem alguma coisa que gera empregos e contribui para a receita do estado, que esta mesma pessoa se ache no direito de cobrar das autoridades algum beneficio e que tenha a tendência de sempre achar que pode fazer o que bem entender. O momento urge, então, para uma tomada de decisão, nós escolheremos entre ficar omisso e deixar que outros tome a decisão por nós ou de começarmos a exigir e "lutar" pela defesa do bem comum e consequentemente o nosso próprio bem.