O MÁGICO

Confira essa nova animação do diretor de Bicicletas de Belleville.

BALADA DO AMOR E ÓDIO

Confira nossa crítica sobre o mais novo filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia.

FRIDA KAHLO EM SEIS SENTIDOS

O projeto de extensão “cores” nos convida inicialmente a um espetáculo sobre a vida da artista plástica, mexicana, Frida Kahlo.

ARTEROTISMO - UM CONVITE

Gente! Ontem eu fui ao evento #OqueDjaboÉIsso, onde tive o prazer de assistir ao ótimo espetáculo "As cores avessas de Frida Kahlo"...

"A CULPA É DA SOCIEDADE"

A sociedade é culpada: Esse foi um entre outros discursos gritados nesses dias que sucederam a “tragédia do realengo”...

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

De olhos bem fechados (Crítica)


Olá, desculpem a ausência esses dias, foi por falta de inspiração. Voltei com crítica nova de um filme não tão novo assim. Mas que me fez ter vontade de escrever. Espero ter mais filmes que me motivem a escrever, as salas de cinema não andam motivando ninguém ultimamente. Enfim, espero que gostem, e desculpem a falta de jeito também, estava ficando enferrujada...

Xêru e boa leitura! 

***

É um risco falar qualquer coisa sobre a ultima obra de Stanley Kubrick, o quase filme póstumo, De olhos bem fechados (1999)

Ao mesmo tempo, não dá pra deixar de pensar que foi feito por ele, pois Kubrick aparece em cada sombra e em cada iluminação, mesmo que muitos digam o contrário. De fato, trata-se de um Kubrick despretensioso, mesmo no fim da vida, ainda extremamente caprichoso. 



A primeira cena em que Nicole Kidman, de costas, deixa cair seu vestido, expondo seu corpo nu, e perfeito, me faz lembrar das palavras de Agabem em seu artigo "O niilismo e a beleza dos corpos" onde ele defende: "Que a nudez de um corpo bonito pode ocultar ou tornar invisível o rosto..." Mais a frente citando Cármides de Platão, completa: "se ele aceitar despir-se, crerás que ele nem sequer tem um rosto". 
E é com esse clima que nos deparamos em grande parte do filme. Rostos famosos e incrivelmente belos como os de Tom Cruise e Nicole Kidman quase que se apagam diante da nudez de inúmeros corpos. Sem contar que o enredo vai muito além de corpos, mesmo tendo neles a ferramente perfeita para direcionar o contexto da história, o suspense psicológico é sem dúvida o fio condutor brilhantemente usado pelo diretor.

Mas tentarei analisar a obra pela obra, sem que o peso do autor sobre o filme venha ganhar mais proporções, mas repito, isso é uma tarefa arriscada. 
O filme que a primeira vista me parecia apenas um romance, se revela estranhamente assustador. Algo que começa com os problemas cotidianos de um casal evidentemente em crise, passa a se desenrolar como uma trama perigosa e te pega desprevenido, ao ponto de te levar a pensar: "o que me levou a ver esse filme mesmo"? ou até "que filme é esse mesmo"?

Cenas, muitas vezes sem sentido, sem proposito, confusão, diálogos mortos e muita paranoia. As cenas sem sentido provocam a sensação de uma grande conspiração e isso torna a trama envolvente, histórias paralelas, aparentemente sem elo com o eixo do roteiro, tornam tudo um pouco confuso, mas de forma alguma o filme fica menos atraente. Talvez essa coisa meio despropositada, seja o que torna essa obra tão interessante. Essa atmosfera estranha faz "De olhos bem fechados" um filme marcante.  
A estética dos ambientes com suas insistentes luzes de natal é intrigante e perturbadora. De uma plasticidade apática que trás um clima constrangedor de “festa”, encobrindo as relações doentias que as aparências teimam em disfarçar. A trilha sonora é grandiosa e seu ar de ópera dá um ritmo dramático e necessário para as sequencias. 

O filme se revela um drama psicológico dos melhores, e ainda uma crítica à sociedade das mascaras, e a toda a falsa moral sob o desejo contido. Uma crítica à hipocrisia das convenções sociais e uma bela homenagem ao corpo nu. Afinal, vemos um desfile de corpos perfeitos, onde os rostos não podem ser cumplices, para isso trazem uma mascara que encobre a face rosada pela vergonha da nudez. Voltando novamente a Agabem, parece que só a cumplicidade do rosto dá ao corpo nu a ausência de segredo. E esse jogo é muito bem articulado durante todo o filme. Os corpos que aparecem nus tendo o rosto como cúmplice estão sempre desfalecidos, e isso é no mínimo intrigante. 
Não posso falar mais... Nada é explicito nesse filme, exceto algumas cenas de sexo, então não esperem grandes conclusões (muitas vezes você terá que criar-las) e nem finais hollywoodianos. Apenas o sentimento que mesmo após grandes experiências de nossas vidas, tudo tende a seguir o curso...
Eu falo tudo e não quero dizer nada, apenas que é surpreendente. Pode não ser uma obra prima, como fala a maioria, mas sem dúvida é um filme que não devemos deixar de ver. É marcante e perturbador, visivelmente um filme de autor. 



sábado, 14 de abril de 2012

Corpo: ilusão da presença



Pareço suspeita em escrever sobre algo tão feminino, e sou. L’Apollonide: Souvenir de la Maison close (2011), que no Brasil recebe o sobrenome "os amores da casa de tolerância" conta uma fábula erótica, onde somos voyeurs entre as paredes quentes de um suntuoso prostíbulo da Belle Epoque francesa. 

O filme nos transporta para o sonho e as memórias de alguém que viveu a aparente segurança entre as paredes do Apollonide. O diretor Bertrand Bonello trabalha o belo e o nu com classe e naturalidade, de um realismo poético e romantismo cru. Pinta o corpo feminino com a luz de suas câmeras, onde sexo e fetiches perdem a libido quando imergimos na realidade de cada uma das mulheres que desfilam durante o enredo. São majas, olympias e vênus, mulheres em seus mistérios, que falam com os olhos suas angustias e não ousam sorrir. 

Em Apollonide, frieza, melancolia e luxuria se misturam em uma trama envolvente e onírica, onde o sorriso é algo raro e algumas vezes cruelmente forçado, ilustrado claramente na personagem Madeleine, homenagem ao romance O homem que ri de Vitor Hugo. Muito dessa estética onírica se deve a fotografia exemplar de Josée Deshaies, que organiza sua obra numa verdadeira galeria. As imagens que usei (todos retiradas do filme) são uma pequena mostra do capricho da direção de arte. 

São muitas as homenagens às belas artes inclusive entre os poucos personagens masculinos temos Gustave, o homem que admira vaginas, numa merecida referência A origem do mundo de Gustave Courbet. A montagem de Fabrice Rouaud propositalmente desconexa faz alusão a memórias, essas por hora reinventadas e reconstruídas, a fim de criar uma aura de nostalgia. Por fim a trilha sonora que embala o filme trás a tona o erotismo latente que nos cativa à medida que as cenas acontecem. Todos esses elementos técnicos muito bem trabalhados e as referências artísticas fazem do filme uma obra forte e inteligentemente construída. 

As sequencias de sexo e a retratada vida marginal nos põem no limite entre o prazer e insatisfação, com a ideia de que somos refém do corpo que machuca, adoece, envelhece e morre, do corpo como uma prisão solitária, onde a única luz entra pela janela da ilusão da presença. 

Como se a vida fora daquelas paredes parecesse não existir, as imagens dos corpos que padecem o prazer alheio, em conflito com a razão que se distancia da realidade, faz clara a intenção do cineasta de montar uma ficção dentro da ficção, um sonho dentro de um sonho, um universo que se explica por si, sem contexto, sem plano de fundo, uma dimensão paralela que visa tocar o feminino em sua forma mais sublime e elegante. 

A perceptiva machista do universo feminista da mulher, objeto de desejo, de prazer e de satisfação das fantasias se desfaz ao longo do filme fazendo surgir a magnifica beleza dos corpos como único prazer, um prazer estético. 

L'Apollonide é uma fiel homenagem ao universo misterioso do feminino e a arte de pintar musas. Um filme racional enquanto esteticamente passional. 

Trailer:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz Dia da Mulher



Hoje é 8 de março, mais um dia da mulher que chega!
E em homenagem às mulheres, principalmente às leitoras do blog, quero oferecer um poema:

Mulher

Quero propor um brinde
Começando por Eva, pela serpente e pela maçã;
seguindo às filhas: as que geram umas às outras.
Um brinde à beleza e à dor,
um brinde à doçura e à força - por que não?
Façamos um brinde aos sutiãs queimados,
às que usam saias, calças,
às que cobrem com um véu a cabeça.

Quero propor um brinde
às que mentem, às que choram 
Um brinde às mães, Marias e Madalenas,
um brinde às que se prostituem.
Façamos um brinde às líderes
e às submissas, Cadijas e
Fátimas, seu legado, seus filhos.
Brindemos à rosa, à vaidade, à fé,
às que amam e às que odeiam,
brindemos à mulher.


Que o dia da mulher nos lembre das lutas mas também nos resgate a memória da mulher que é mãe, pai, filha e menina de si mesma. Que o feminismo não nos faça perder a magia e beleza que nos diferencia dos homens e ao mesmo tempo nos permita os mesmos direitos.
Parabéns a todas!