O MÁGICO

Confira essa nova animação do diretor de Bicicletas de Belleville.

BALADA DO AMOR E ÓDIO

Confira nossa crítica sobre o mais novo filme do cineasta espanhol Álex de la Iglesia.

FRIDA KAHLO EM SEIS SENTIDOS

O projeto de extensão “cores” nos convida inicialmente a um espetáculo sobre a vida da artista plástica, mexicana, Frida Kahlo.

ARTEROTISMO - UM CONVITE

Gente! Ontem eu fui ao evento #OqueDjaboÉIsso, onde tive o prazer de assistir ao ótimo espetáculo "As cores avessas de Frida Kahlo"...

"A CULPA É DA SOCIEDADE"

A sociedade é culpada: Esse foi um entre outros discursos gritados nesses dias que sucederam a “tragédia do realengo”...

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

É só mais um dia que não existiu

Hoje foi mais um dia que não existiu. E isso não é um desabafo.
Acordar as 3 da tarde, se sentindo inútil, desalmada, patética, envergonhada perante os que ama. E isso não é tudo, algumas coisas consomem muito mais do que consigo descrever com palavras, ou que faladas, pareceriam falsas e insignificantes. E devem ser. 
Não quero ver ninguém, nem falar, nem comer, nem muito menos pensar. Nada que lembre uma possível existência humana. Ao mesmo tempo daria tudo por um colo (com o qual eu não precise me explicar, que não vai julgar minha fragilidade quando tiver chance). Alguém para passar a mão no meu cabelo e explicar sobre como a química no ar deixa o céu colorido. Ninguém nos ensina a desistir, por isso tenho esperança, me alimento com fastio e durmo muito.
Penso em suicídio quase sempre. - Mas o que eu estaria matando? Penso eu. Um corpo jovem, e uma mente perturbada... A minha insignificância e covardia diante da vida me tira até mesmo o alívio da morte. Veja o quão romantizada... daí vem, provavelmente, a mediocridade da vida. E eu continuo observando. 

As pessoas, no geral, me deixam entediada. São aqueles olhos vazios que quando se olha não se vê nada, nem ninguém. São só carcaças ambulantes ecoando um ruído sem sentido. Enquanto meu corpo pesa uma tonelada, não me sinto digna de arrasta-lo por ai, desperdiçando palavras que custam o olho da cara. E tenho muita preguiça de ser legal. Falta uma respiração bem dada, continuo morrendo um dia de cada vez, como dizem que seria natural. A melancolia me parecia uma condição estética, agora sofro dos seus sintomas descritos pela psiquiatria. As especialidades nos deixaram encurralados. Sou julgada de egoísmo, indiferença, drama, frescura, arrogância, vagabundagem... aos que se deram ao trabalho, agradeço a atenção. É por atenção que clamamos o tempo todo: estamos aqui para receber os "olhos" alheios, e só então se reconhecer como um "alguém". Até que você se perde no meio desses tantos EUs que não pode mais ser um. E sendo tantos e nenhum ao mesmo tempo. No entanto, talvez seja preciso ser apenas um, para então sermos vários. "Essa metamorfose ambulante", ou melhor, ser para quê? É só mais um dia que não existiu...


Desenterrei todos os defuntos nesse dia, e tomei chá com eles. Reparei que não reflito na poça é ela que reflete em mim, posso ver a lama escorrendo. - Será que a gente sabe quando tá ficando louco? (Não poderia ficar louca, minha mãe não entenderia, isso me angustia profundamente. Espero que quando acontecer, alguém explique para ela, pois ao que tudo indica, nessas alturas não estou mais me importando muito). 
Estou perdendo a poesia, como diriam os críticos. E esse poço é fundo. 
Não, eu não vou me matar, mesmo. A loucura vai me pegar primeiro, e a diferença entre viver e morrer não vai fazer sentido, acredito. A razão, por outro lado, faz eu ter medo de não saber a hora de pedir ajuda e morrer acidentalmente, por pura idiotice. A loucura não é de maneira alguma uma coisa ruim, mas "perder a razão"é uma frase engraçada. 

sábado, 14 de abril de 2012

Corpo: ilusão da presença



Pareço suspeita em escrever sobre algo tão feminino, e sou. L’Apollonide: Souvenir de la Maison close (2011), que no Brasil recebe o sobrenome "os amores da casa de tolerância" conta uma fábula erótica, onde somos voyeurs entre as paredes quentes de um suntuoso prostíbulo da Belle Epoque francesa. 

O filme nos transporta para o sonho e as memórias de alguém que viveu a aparente segurança entre as paredes do Apollonide. O diretor Bertrand Bonello trabalha o belo e o nu com classe e naturalidade, de um realismo poético e romantismo cru. Pinta o corpo feminino com a luz de suas câmeras, onde sexo e fetiches perdem a libido quando imergimos na realidade de cada uma das mulheres que desfilam durante o enredo. São majas, olympias e vênus, mulheres em seus mistérios, que falam com os olhos suas angustias e não ousam sorrir. 

Em Apollonide, frieza, melancolia e luxuria se misturam em uma trama envolvente e onírica, onde o sorriso é algo raro e algumas vezes cruelmente forçado, ilustrado claramente na personagem Madeleine, homenagem ao romance O homem que ri de Vitor Hugo. Muito dessa estética onírica se deve a fotografia exemplar de Josée Deshaies, que organiza sua obra numa verdadeira galeria. As imagens que usei (todos retiradas do filme) são uma pequena mostra do capricho da direção de arte. 

São muitas as homenagens às belas artes inclusive entre os poucos personagens masculinos temos Gustave, o homem que admira vaginas, numa merecida referência A origem do mundo de Gustave Courbet. A montagem de Fabrice Rouaud propositalmente desconexa faz alusão a memórias, essas por hora reinventadas e reconstruídas, a fim de criar uma aura de nostalgia. Por fim a trilha sonora que embala o filme trás a tona o erotismo latente que nos cativa à medida que as cenas acontecem. Todos esses elementos técnicos muito bem trabalhados e as referências artísticas fazem do filme uma obra forte e inteligentemente construída. 

As sequencias de sexo e a retratada vida marginal nos põem no limite entre o prazer e insatisfação, com a ideia de que somos refém do corpo que machuca, adoece, envelhece e morre, do corpo como uma prisão solitária, onde a única luz entra pela janela da ilusão da presença. 

Como se a vida fora daquelas paredes parecesse não existir, as imagens dos corpos que padecem o prazer alheio, em conflito com a razão que se distancia da realidade, faz clara a intenção do cineasta de montar uma ficção dentro da ficção, um sonho dentro de um sonho, um universo que se explica por si, sem contexto, sem plano de fundo, uma dimensão paralela que visa tocar o feminino em sua forma mais sublime e elegante. 

A perceptiva machista do universo feminista da mulher, objeto de desejo, de prazer e de satisfação das fantasias se desfaz ao longo do filme fazendo surgir a magnifica beleza dos corpos como único prazer, um prazer estético. 

L'Apollonide é uma fiel homenagem ao universo misterioso do feminino e a arte de pintar musas. Um filme racional enquanto esteticamente passional. 

Trailer:

quinta-feira, 8 de março de 2012

Feliz Dia da Mulher



Hoje é 8 de março, mais um dia da mulher que chega!
E em homenagem às mulheres, principalmente às leitoras do blog, quero oferecer um poema:

Mulher

Quero propor um brinde
Começando por Eva, pela serpente e pela maçã;
seguindo às filhas: as que geram umas às outras.
Um brinde à beleza e à dor,
um brinde à doçura e à força - por que não?
Façamos um brinde aos sutiãs queimados,
às que usam saias, calças,
às que cobrem com um véu a cabeça.

Quero propor um brinde
às que mentem, às que choram 
Um brinde às mães, Marias e Madalenas,
um brinde às que se prostituem.
Façamos um brinde às líderes
e às submissas, Cadijas e
Fátimas, seu legado, seus filhos.
Brindemos à rosa, à vaidade, à fé,
às que amam e às que odeiam,
brindemos à mulher.


Que o dia da mulher nos lembre das lutas mas também nos resgate a memória da mulher que é mãe, pai, filha e menina de si mesma. Que o feminismo não nos faça perder a magia e beleza que nos diferencia dos homens e ao mesmo tempo nos permita os mesmos direitos.
Parabéns a todas!